quarta-feira, 7 de outubro de 2009

MACULELÊ

O Maculelê é uma dança de origem Afro-indígena, pois foi trazida pelos negros da África para cá e aqui foi mesclada com alguma coisa da cultura dos índios que aqui já viviam. Os africanos diziam que esta dança era mais uma forma de luta contra os horrores da escravidão e do cativeiro. Enquanto os negros dançavam com os cepos de cana no meio do canavial, cantavam músicas que evidenciavam o ódio. Porém, eles as cantavam nos dialetos que trouxeram da África para que os feitores não entendessem o sentido das palavras. Assim como a "brincadeira de Angola" camuflou a periculosidade dos movimentos da capoeira, a dança do maculelê também era uma maneira de esconder os perigos das porretadas desta dança. Aos golpes e investidas dos feitores contra os negros, estes se defendiam com largas cruzadas de pernas e fortes porretadas que atingiam principalmente a cabeça ou as pernas dos feitores de acordo com o abaixar e levantar do negro com os porretes em punho. Além desta defesa, os negros pulavam de um lado pro outro dificultando o assédio do feitor. Para as lutas travadas durante o dia, os negros treinavam durante a noite nos terreiros das senzalas com paus em chama que retiravam das fogueiras, trazendo ainda mais perigo para o agressor. O maculelê pode ser feito com porretes de pau, facões ou facas, mas, alguns grupos praticam o maculelê com tochas de fogo ou "tições" retirados na hora de uma fogueira que também fica no meio da roda junto com os dançarinos.
O maculelê é portanto, um bailado guerreiro que foi desenvolvido por homens negros, compreendendo dançadores e cantadores, todos comandados por um mestre, denominado “macota”. Os participantes usam um bastão de madeira com cerca de 60 cm de comprimento, exceto o macota, que tem um mais longo. Os bastões são batidos uns nos outros, em ritmo forte e compassado. Estas pancadas presidem toda a dança, funcionando como marcadoras do pulso musical. A banda que anima os dançarinos é composta por atabaques, pandeiros e às vezes violas de doze cordas. As cantigas são puxadas pelo macota e respondidas pelo coro. Há músicas tradicionais e outras circunstanciais, dependendo da destreza do chefe. Quando se apresentam em alguma casa ou estabelecimento de eventos, iniciam com uma saudação ao dono do lugar, seguem-se várias cantigas a gosto do mestre, concluindo com Despedida e Agradecimento. Na rua executam a Marcha de Angola, que contém letra com termos africanos adaptados. A área de maior incidência do Maculelê á a região de Santo Amaro (BA). Maculelê nos faz reencontrar com a alma perdida do negro, que muito ajudou a construir esse nosso país. A população afro-brasileira ao mesmo tempo que conservou elementos fundamentais da tradição africana, criou e recriou símbolos, mitos, costumes e danças.
VEJA AQUI MOVIMENTOS CARACTERÍSTICOS DO MACULELÊ

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